terça-feira, 30 de novembro de 2010
É difícil
Os pés estão completamente gelados. As mãos e a ponta do nariz também estavam, mas aqueceram depois de uma bela caneca de chá de limão, que a minha mãe fez e me obrigou a beber mesmo sabendo que não gosto lá muito de chá, argumentando que estou à mais de três semanas constipada porque me agasalho mal e porque estou com uma voz a que eu chamo voz de «bagaço» ou seja, super rouca, quase sem voz e que nem um mega-fone me safava e me ajudava a fazer com que as pessoas ouvissem o meu coração que me está quase a saltar pela boca. Isto foi só um aparte para que possam perceber em que circunstâncias me encontro enquanto escrevo, e estou para aqui a escrever e a escrever, a engonhar, e a engonhar, sem dizer o que realmente quero. Talvez porque sei que na verdade não o devesse dizer, não devesse voltar ao assunto. Já passaram alguns meses e ainda amo com todo o sentido da palavra, como no primeiro dia. É difícil, é difícil dedicar-te palavras quando os gestos falaram tão alto. Quando os dias gritam cá dentro. Quando as noites apelam à saudade. Quando os momentos preenchem a memória e fazem ansiar por mais. Quando o passado se visita com um sorriso. Quando o presente se abandona com uma lágrima e quando o futuro se vê à distância de um amanhã. Sim, é difícil apelar-te palavras. Quando as horas se deixam embalar por palpitações recorrentes. Quando os minutos se entregam aos pensamentos que são tão presos como soltos, que são tão bonitos capazes de fazer renascer como completamente medonhos e capazes de destruir de novo. Quando os segundos se completam de empatia. Sim, é difícil oferecer-te palavras. Quando os meses se caracterizam por músicas, fotos e meras recordações. Por horas a relembrar sorrisos, abraços, e pequenas e simples palavras que me enchiam o coração. Por brilhos de olhares e corações inquietos. Por respirações apaixonadas e um desejo indeterminado. Por corpos irrequietos e espíritos desassossegados. Sim, é difícil consagrar-te palavras. Quando são muitas as memórias. Muitos os momentos. Incontáveis e nada duvidosos os sentimentos e infindáveis as emoções. Quando são algumas as incertezas e mais as certezas. Quando são menos as contrariedades e contradições e mais as concordâncias e os benefícios. E é melhor ficar-me por aqui. Faz-me mal falar sobre isto porque sei que as coisas vão ficar tal e qual como estão. Aliás, como simplesmente não estão.
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já sabes o que tens de fazer, seguir em frente e tentar esquecer o mais rápido possível isto, eu sei que é difícil mas é o melhor para ti, não digo esquecer pois isso é impossível, mas sim ultrapassar e seguir em frente!! SEMPRE FIRME!
ResponderEliminarFIRMEZA MELHOR AMIGO (LL)
ResponderEliminarsabes que «adorei» daniela <3
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